O coaching para além do clichê de mundo perfeito

Estou alguns mil pés de altura quando ensaio essas linhas. Nesses poucos momentos que a gente é obrigado a ficar off deste mundo doentemente conectado, idéias de grande valor aproveitam para nos tomar de assalto. Uma que me inquieta e há tempos espera uma oportunidade de manifestar-se é a retórica de alguns colegas de trabalho, também profissionais em coaching.

Até por utilizar-se com maestria de algumas ferramentas da PNL (programação neurolinguistica), muitos coaches acabam desenvolvendo uma sistemática de trabalho, especialmente de divulgação dos próprios pensamentos, em que a melancolia ou os problemas parecem não existir. Aliás, isso não acontece só com coaches, mas com palestrantes e outros motivadores profissionais.

Percebo muita superficialidade em algumas propostas de trabalho. Alguém chega, escreve somente coisas maravilhosas nas redes sociais, e só mostra uma metodologia de sucesso: venha aqui – ou me contrate – e seja feliz. Vendo a proposta de alguns colegas, sinto-me numa propaganda de coca-cola: “abra a felicidade”. E coaching não é isso; na verdade, é muito mais que isso, e por isso deve ser tratado com maior responsabilidade.

No coaching, não focamos nas deficiências do coachee (cliente), e sim em suas potencialidades. E isso realmente traz resultados fantásticos! Quem já passou pelo processo sabe exatamente do que estou falando: provavelmente você fez mais coisas maravilhosas em 3 meses, após o processo, do que nos últimos 10 anos. Aconteceu comigo e acontece com meus coachees. Mas devemos ter cautela necessária para não cairmos na ilusão da superação aparente.

O processo de coaching é libertador, especialmente pela proposição de tarefas e pelo foco no futuro. Como sabem, a cada ação nos sentimos empoderados, e ganhamos força, passo após passo, para o enfrentamento de dificuldades maiores. Mas após dado o passo, e sentindo-se mais poderoso, é fundamental refletir, de forma equilibrada, nos motivos que levaram ao impedimento anterior. Não é para voltar ao problema, pois ele já foi superado no campo prático! Trata-se apenas de você dar mais atenção às suas reais necessidades interiores…

Assim, o coaching deve ser usado como instrumento de transformação pessoal em direção a seus sonhos, mas também como alinhamento da jornada de busca ao que você verdadeiramente veio fazer no mundo.

E basta lembrar que vencedor não é aquele que não cai – ou que não sente angustias ou que não tem seus medos – mas aquele que se ergue pronto para novos combates, cada vez mais preparados!